Transparência
 
(Antonio Guimarães)

 
 

Tudo que vês ou 

sentes de mim

É a essência exata

 do que sou

E se o que pensas 

e ouves de mim

parece insólito

 e inadequado

 
 

Reflete um pouco...

Hoje caminhaste,

 sentiste o vento

E o sol que seca 

as folhas no chão...

E que saber

 especial usaste?

Ciência? Magia? 

Um saber oculto?

 
 
 

Se ora me vês 

agindo como criança

Menino, que

 sem falar, aponta...

Ora me sentes 

um fraco, um velho

Que estórias 

velhas de vida, conta...

 
 
 

É que me encontras 

perdido,

 indeciso e só

Encruzilhadas que

 eu mesmo tracei

Dedos trêmulos 

na areia

Que veste solta a

 estrada da vida...

 
 
 

Por isso, não procures 

segredos em mim

Não passo e nunca

 passarei de lógica

Primária matemática...

A soma exata 

do que te mostro

E o que se esconde 

em mim

Que eu próprio 

desconheço!

 
 
 
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