Símbolos
(Gilka Machado)
 
 
 
Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...
Um símbolo descubro aqui, neste momento esta rocha, este mar... A minha vida e a tua 
O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento de quem maltrata e, após, se arrepende e recua
Como compreendo bem da rocha o sentimento!
São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua 
Contemplo neste quadro a nossa  triste vida; tu és dúbio mar que, na sua inconsciência, tem carinhos de amor e fúrias de demência! 
Eu sou a dor estanque, a dor empedernida, sou a rocha a emergir de um côncavo de areia, imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia

 

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