Serenidade?
(Vera
Di Bomfim)
Nem
todo eco da vida
Que a
memória do universo guarda
É
sinfonia orquestrada
Por
todo o tempo nalgum lugar
Onde
por vezes a natureza parece cantar
Pode-se também ouvir vozes a chorar
Ecos
de hecatombes e de vidas a se desencontrar
Explosões, destruições... sob a chancela do
dominar
Do
tudo dominar e como Deuses nova ordem criar...
Nem
toda imagem no universo registrada
Real
ou imaginada
É
reflexo de vida harmonizada
Num
tempo de dúbios acontecer
Nuvens avermelhadas que do alvorecer
Guardam o encanto da beleza de um sol a
resplandecer
Por
vezes ao horizonte rasgar, são retratos do anoitecer
Do
apagar de vidas que nem sabem o que está a lhes
acontecer
Porque na guerra matar ou morrer, não é questão de
querer...
Como
posso então Eu? parte da humanidade afligida
E do
seu elo, a ligação com o cosmo, quase que destituída
Pasmadamente tão desarmonizada
Sentir-me SERENA como se fora porção
desintegrada
Do
todo da vida separada
Isolada da alma do UNIVERSO tão intensamente
ferida?
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