Romantismo 

(Cecília Meireles) 

 

Quem tivesse um amor,

nesta noite de lua,

para pensar um belo pensamento

e pousá-lo ao vento!

 

Quem tivesse um amor

- longe, certo e impossível -

para se ver chorando,

e gostar de chorar,

e adormecer de lágrimas e luar!

 

Quem tivesse um amor, e,

entre o mar e as estrelas,

partisse por nuvens,

dormente e acordado,

levitando apenas,

pelo amor levado . . .

 

Quem tivesse um amor,

sem dúvida nem mácula,

sem antes nem depois:

verdade e alegoria . . .

Ah! quem tivesse . . .

(Mas, quem teve? quem teria?)

 

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