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Raiz Amarga (Henriqueta
Lisboa)
Sinto que sou raiz
amarga
Terra gretada é minha
sede
Núcleo de sombras é
meu
cárcere
Lá fora - ao sol, à
chuva,
ao frio - rastejarei à
flor
do chão?
Estarei no ar em
clorofila?...
Não sei se há a graça
do
tronco, pássaros
abrigados
nas franças,
escaravelhos
zumbindo nos
brotos
Não sei se há doçura
de
pétalas, nem aconchego
de folhagem
dormindo
sobre espelhos
d'água
Seja de ouro o pólen
ao
vento, de ouro o mel
a
escorrer do cerne, de
ouro a flama em
torno
da lenha!
Sonho a paisagem do
meu quadro: vale
seivoso
entre montanhas e o céu
-
acima de minha
fronde
Porém meus gestos
precingidos como os
nós
cegos das amarras
furtam-me a toda
revelação
Talvez - condenada
ao
deserto -
eu realize apenas
miragem
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