Quem Sabe?
(Florbela
Espanca)
Eu sigo-te e tu foges. É
este o meu destino:
Beber o fel amargo em
luminosa taça,
Chorar amargamente um
beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto
altivo da desgraça!
Tu foges-me, e eu sigo o
teu olhar bendito;
Por mais que fujas
sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar
por todo o infinito,
De que serve fugir se um
sonho há de encontrar-te?!
Demais, nem eu talvez,
perceba se o amor
É este perseguir de
raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim
como os rafeiros leais
Ou se é então a fuga,
eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre,
ó noite tenebrosa!
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Por me fugires, sim,
talvez me queiras mais!