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Presença
(William Douglas)
Embora as lembranças
da infância
sejam
enevoadas,
cinzentas,
sempre pareço perceber
alguém ali,
meio
quieta,
meio escondida,
mas
sempre sinto
uma pessoa
querendo não aparecer
ou não se
preocupando
muito
com isto,
mas eu sinto,
sinto
uma pessoa
sempre ali,
sempre olhando,
cuidando, zelando,
quieta,
com seu jeito
especial,
mas
quieta,
como se não
quisesse aparecer,
como
se bastasse me ver
alimentado,
vestido,
cuidado,
estudando,
medicado, se preciso,
acariciado se preciso,
castigado se preciso
Sempre sinto
aquela presença ali,
nunca
se preocupando
o suficiente consigo,
não
cuidando de si
o merecido,
mas de mim,
e,
para mim,
e portanto, sem estar
muito
preocupada
com seus cabelos,
com
suas unhas,
com seu traje,
mas
preocupada...
Sempre ali,
olhando,
como se um olhar
pudesse evitar tudo,
como se pudesse barrar
todos
os problemas,
todas as maldades
e perigos
É
incrível como,
mesmo tão parcas
as lembranças,
tão
enevoadas
em todo o seu passado,
eu
sinto sempre
aquela presença
e
sempre me
recordo dela
Do
seu cuidado,
sua paciência,
de sua ausência,
de
suas renúncias,
de sua constante presença
de
seu descuidado consigo
Fruto de um
cuidado
desmesurado
e
completamente
voltado para nós, para mim,
meus
irmãos, meu pai
E é
fácil ter certeza
de que é dela a presença
que
me recordo,
pois o cuidado não terminou
continuou a fio
Ainda
posso vê-la,
tocá-la, senti-la,
algo
tem sido constante
todos esses anos,
décadas,
já que nada mudou
aquela
presença:
tímida, alegre,
quieta, constante,
sempre ali,
sempre disponível,
sempre com um sorriso,
sempre perto,
ou,
ao menos,
sempre fácil de alcançar
Ela sempre
esteve ali,
ao meu lado,
cuidando e
sempre há de estar
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