Para os Teus Olhos
(Guilherme
de Almeida)
Eu passeio nos teus olhos
como uma sombra impalpável
numa planície de flores vertiginosas
Meu vulto tomba na sede esticada
da sua superfície. insensivelmente
como uma pluma
Eu sou para os teus olhos claros,
entre as algas dos teus cílios
como uma flor de luar
na alma azul de um lago
de alvas águas...
Sombra, reflexo, pluma...
Eu sou tão pouco para os teus olhos!
Quase nada; o jogo de um reflexo,
uma pluma e uma sombra...
No entanto, como eu me sinto enorme
quando penso que é nos teus olhos
que as estrelas vem, como eu,
humildemente,
acender-se também!