Paradoxo
(J. G. de Araújo Jorge)
A dor que abate, e punge,
e nos tortura,
que julgamos às vezes
não ter cura
e o destino nos deu
e nos impôs,
é pequenina,
é bem menor,
e até já não é dor, talvez
dor já não é
A alegria que às vezes
num segundo
nos dá desejo
de abraçar o mundo,
e nos põe tristes,
sem querer, depois,
aumenta, cresce,
e bem maior se faz,
já não é alegria,
é muito mais
Estranha essa aritmética
da vida,
nem parece ciência,
parece arte;
compreendo a dor menor,
se dividida,
não entendo
é aumentar nossa alegria
se essa mesma alegria