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Para Quê Poesia?
(William Douglas)
Para que a poesia?
Sim, para que poesia de
amor?
Para dizer eu te amo?
Ah, as poesias...
são tão longas,
indiretas,
tão afeitas e
circunlóquios,
metáforas, atalhos,
deixas,
tudo para quê,
para dizer:
Eu te amo?
Por que não falamos
isso assim,
no claro, no seco, nos
olhos?
Bem, as poesias falam dos
olhos,
das declarações que eles
fazem,
mas assim, para que,
então, poesias?
Para que tanta e nrolação,
para que circula toda a
natureza,
fazer medo, pergunta,
filosofia, falar das
flores,
do fogo, da lua,
para que tudo isso,
se no fundo,
a poesia é pra dizer:
te amo (?)
Os poetas são grandes
faladores,
o inverso da concisão,
do prático,
gastam folhas e
folhas,
tudo, tudo para dizer:
te amo
As mulheres gostam,
sim,
mas tampouco
acreditam,
uma em mil, e mesmo
assim,
sempre nos acham
mulherengos de fazer
tantas poesias
Ai me revolto:
fazemos lindas
poesias,
buscamos as coisas mais
lindas,
paramos, pensamos,
escrevemos
e, após perfeito
parto:
eis uma poesia!
Então a damos:
(expectativa)
sorriso recompensa,
olhos brilhando,
olhadinha tímida
ou abraço imenso,
leitura apaixonada,
rosto sorrindo,
a perfeita expressão
da gratidão, da
poesia,
aí a menina nos beija
Burra! Depois me diz
que não acredita,
que escrevo aquilo
para as outras
Para quê, é só o que
penso,
para que a poesia?
Antes fosse grosso,
burro,
machista, insensível,
cabeludo e troglodita,
que a tratasse na c oleira,
ela, como um anjinho,
pura e sofredora,
me adoraria
Ai, como é difícil,
machista,
isso sim o que elas
são
Depois quase sem
letras,
quase chorando de
tristeza,
eu, que sou tão
romântico,
pergunto,
curiosamente,
para qu ê poesias?
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