Para De Novo Poder Ver A Deus
(Cosmo Palasio Moraes Júnior)
Acolha-me
Deixe que deite
em seu colo
e tenhas sonhos
de criança
permita-me ter
medo e confessá-lo
deixe que eu
solte meu ser
por campos onde
seja possível andar
sem jogos, sem
temores e mentiras
Acolha-me
E guarde em
seus braços
meus infantis
segredos
minhas dúvidas
de gente grande
meus
sentimentos de ser pequeno
faça com que eu
deixe lá fora
por apenas
alguns instantes
e assim, que
dentro de mim possa encontrar
alguma razão
real para ainda estar vivo
Acolha-me
Norteai-me pelo
seu olhar
mostre-me
luzes que não mais vejo
segure minhas
mãos
com o carinho
que não mais conheço
seca meu choro
com palavras reais
sobre um mundo
tão distante de onde vim
Acolha-me
Traga-me a paz
em forma de gestos
não apenas me
diga, mas mostre-me
decora meu
rosto
com desenhos
feitos com seus dedos
com linhas que
novamente
me liguem ao
mundo doce e terno
as
possibilidades de ser mais do que
o herói de uma
noite
o vilão de um
amanhecer
Acolha-me
Dê guarida ao
meu fugitivo
ao meu instante
ser
ao que
resta dos meus exércitos
de bondade e
luz
Semeia em meu
corpo
gestos puros e
leves
guarda minhas
costas
para que eu
possa enfim dormir
para que me
sinta
na casa dos
seus braços
como um
viajante que finalmente chegou
Acolha-me
E não me peça
nome e nem documento
não me fale
daquilo que eu possa lhe dar
e você possa
pegar e perder com as mãos
Acolha-me e
olhe dentro dos meus olhos
busque por
mim
grite num sussurro meu nome
tira-me disto
tudo
enquanto há
ainda o que tirar
Acolha-me
E com a tinta
do seu amor
escreva comigo
uma história bonita
destas onde o
amor existe
Segue comigo
num cavalo branco
numa noite de
lua
para um lugar
qualquer
que mesmo
existindo apenas
em nossa comum
imaginação
será uma ilusão
segura
que me fará de
novo viver
Acolha-me
Preciso de seus
braços
para de novo
poder ver a Deus