O Inverso
(Regina O.)
 
(Em homenagem a minha mãe querida,
quando já tinha seus dias de vida,
praticamente contados)
29.04.2001
 
(Seu falecimento - 13/05/2001- Dia das Mães)
 
 
 
 
 
 
 
Tão pequena, indefesa,
 triste, sofrida, quase apagada
Logo quem?...
Alguém de uma realeza sem fim,
 e tão querida por mim!
 
 
Não peço para você voltar,
por mais que meu coração
sofra,  chore, grite,
em não querer você tão
 longe de mim... 
 
 
Peço sim, que você descanse...
 
 Cabelos agora tão brancos,
macios, ainda com brilho
Olhinhos que quase não se abrem
 Balbucia palavras afogadas
dentro do peito e no olhar
Mãos que tentam chegar à face,
mas que a fraqueza não permite,
e o sono toma conta de você,
mas você tudo sente, tudo vê...
 
 
Eu fazendo de tudo
 para que não perceba meu
 sofrimento, escondido no meu coração
 No meu rosto
faço questão de mostrar
um sorriso bem bonito
estampado em minha face,
para minha tristeza não notar
 
 
Você que me deu vida,
me carregou no seu ventre...
Tanto tempo me esperou,
contando os dias, às horas,
aguardando minha chegada
 
 
Lamento mãe, como lamento...
Não poder contar o tempo
da forma como você fez
Me esperando, me aguardando...
  
 
Eu aqui, pedindo, implorando...
O tempo passando,
lento, vagaroso, escuro, frio,
me deixando inquieta,
fazendo promessas,
pedindo ao Nosso Pai, por você!
 
 
Não da forma que eu gostaria que fosse,
mas sim o inverso da sua chegada
Vendo que nessa estrada,
 em que por tantos anos,
caminhamos de mãos dadas,
não posso ficar na ânsia de lhe esperar
E sim, mãe linda do meu coração,
esperar a sua partida,
quando poderá se libertar
 
 
Deixar esse corpo
que hoje lhe pesa,
para poder caminhar,
e em outra vida,
nosso reencontro se realizará,
tenho certeza disso, mãe...
 Com muita saudade
muito amor, muito carinho,
irei lhe abraçar,
e com você mãe querida,
voltarei a ficar, morar!
 
 
 
 
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