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DUETO
Marcos Milhazes & Eliane
Gonçalves
Quando meus olhos
Já não mais procuram
O
que minhas mãos encontraram
Uma sensação tal uma serpente
Se deslizando em mim, o seu corpo!
O
meu olhar te deixa inerte
E
sem promessas ou juras
Teu corpo agora padece
Ser dominado e arrastado
Até mesmo maltratado
Pelo fogo da paixão
Faz-me de mata virgem
Entra e sai quando quer
Como bicho do mato, se entoca em mim
Serpente que me alisa, me pica
Me despeja seu veneno
Veneno fatal em forma de sedução
Destilado em gotas de desejo
Contamina o teu corpo inteiro
Te deixando inerte e indefeso
Me envenena, me deixa amena
Me ama, me ataca na cama
Me despoja de meus sentidos
Me tira a vontade
Me torna uma presa fácil...
Meu cavalo alazão alado
Crio asas de fato, como um
Homem que me ama de paixão
Me faz suada e me arrepia
Por força da raça
Alça vôo
Some pela porta, pela mata
Saciada sua fome,
Me consome, me adia, deixa
Sua mordida em minhas entranhas
Me arranhas
Deixo minha marca de mulher
E
nesse momento
De sorriso aberto, registro
O
brilho dos teus olhos em
dois corpos ardentes, dementes em
sua fúria
Fraca e sem forças, feito uma louca
Arrastou-me pela mata, pela cama
Ainda acesa pela chama
Impregnada por aquele veneno
Sem cura, fiz uma das muitas juras;
De não mais te amar
Mas minha esperança real
é
que você me adote...
Ou apenas, minha serpente
Aguardar por mais um bote
Lendas de selvas
Horizontes mágicos Cavalo alado e
Serpente venenosa
Nunca se entrosam, mas se respeitam
Até se amam, como diz
A
magia e o poder da mente, que
Nunca mente e nem desmente
Apenas imagina a
Sina
De duas almas selvagens
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