Lúcida Loucura
(Danov  DeLablanc)
 
 
Debruço-me e, sobre teu corpo ausente
Derramo o meu amor descrente
Escrevo o mais lírico poema em tua pele
Busco decifrar o teorema
Da loucura que a ti me impele
E chego, deste amor,  à lucidez extrema
 
No meu peito guardo-te em segredo
Somente nos meus sonhos dou-te espaço
A noite é o meu quarto de brinquedo
Onde trocamos beijos na união do abraço
 
Se o meu carinho incontido te procura
Volta a minha mão contraída e medrosa
E na ardência deste amor que queima com brandura
Guardo a carícia retraída e ansiosa
 
No campo do teu amor florido sou peregrino
A paixão é como aranha a envolver-me em teias
Não luto nem me debato em desatino
Deixo que placidamente o amor circule em minhas veias
 
Se tu também me amasses com loucura
E se pudesse desnudar o meu amor
Talvez até o céu invejasse esta ternura
Posto que na loucura do amor vive a lucidez
 
Contudo, prefiro a esperança a ter saudade
Prefiro ter-te perto assim distante
A estrela cadente também é verdade
Mas só naquele pequenino instante