Falta Do Meu Pai

(Regina O.)

   

Quanta falta sinto do meu pai

Mas sempre que dele

me lembro

costumo pensar:

- Meus filhos é que

mais sentem falta

Eu o tive por mais tempo

Apesar de muitas das vezes

não tê-lo compreendido,

e achar que era um pai

machista, cheio de mais-mais

Quantos zelos,

quanto nariz feio,

ele aprontava pra mim

Mas depois com o tempo,

percebi, lógico que sim,

que todos os pais,

ou pelo menos, 

quase todos, são assim...

Se erguem em um pedestal,

fingindo serem os donos

da verdade,

e aí dos filhos que tentem,

lhes contrariar...

Sisudo, sério em demasia

Alegre, disfarçando

o cansaço de mais um dia

de trabalho

Irritadiço, calmo, tranqüilo,

impaciente e feroz,

esse era o meu pai

Mas ai vieram os netos,

e quanta paciência

soube adquirir

O tempo o fez mudar,

reagir, ser mais sensível,

chorão, bonachão

Fazendo todas as vontades

dos netos

nem brigar direito sabia,

e logo dizia:

- "Deixa eles brincarem,

aproveitarem essa época

tão breve...

 logo irão crescer"

E eu perguntava

só com o olhar:

-Aonde estava aquele pai,

que comigo sempre

costumava brigar?...

Mas claro que compreendia,

 pois o tempo opera milagres,

transformando qualquer ser

 Sabendo que seu tempo está

 findando, cabelos embranquecendo,

querendo tudo aproveitar,

e junto a seus netos ficar...

E quantas vezes me pego,

pensando, falando baixinho:

- Ah!... quanta falta,

quanta saudade

sinto do meu pai...

 

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