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(J.G. de
Araújo Jorge)
Há muito eu te
esperava
Mas eu queria que quando
chegasses
trouxesses nos teus
olhos
vultos de
bonecas;
e a tua boca sorrisse
o sorriso dos
botões
apenas
entreabertos;
e as tuas mãos
fossem
como as folhas
fechadas
de um livro que ninguém
leu;
e a tua alma fosse mais
pura
do que a fonte que
canta
dentro da pedra
e ainda por sobre a
terra
as águas não
correu
E tu chegaste...
Mas trouxeste em teus
olhos
sombras
estranhas,
nuvens dentro de um
céu
E a tua boca com um
sorriso
das rosas
encarnadas
cheias de sol e
mel
E as tuas mãos
guardam
vestígios
de carícias que
murcharam
E a tua
alma,
apesar de ser grande e
bela,
nos momentos de nossa
exaltação
às vezes me parece pálida e
amarela,
como uma folha lida e já
relida
de um romance que
andou
talvez numa outra
mão!
Ah! Ninguém saberá
nunca
o quanto eu sou
desgraçado e infeliz na minha
dor,
quando ao te amar
assim,
como um louco, um
doente,
encontro em teu
amor,
às vezes,
casualmente
os restos de um outro
amor!
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