Dedicatória
(Nelson Haroldo)

 

 
Lembrar-te-ei e resguardarei os meus passos
Na suavidade da paisagem em que modula
A freqüência das cicatrizes... eu me refaço
Em carne rubra de desejos que o amor anula...
 
Decifras, então, as noites que nos rodeiam
Em que o amanhecer ruminando ventanias
E por teu desejo me queres preso a tua teia
 
Fios cândidos, tênue das horas em agonias...
Dar-te-ei uma flor, roubar-te-ei um beijo
E tudo diz no infinito... me entrego e ouço
Sob a mesma noite que nos cobre, e vejo!
Do teu olhar a melhor parte do meu corpo...
 
Diz-me então, se há regras, se o fogo avança
Ou se é para o teu olhar que estou correndo?
Dos olhos em que busco o amor, em si estanca
Ora! Direis do meu coração que está morrendo...
 
Pasmo! Sobre a angústia do pensar e no alude
Desse manto na vertigem do azul céu/lua, tateio!
Então, entrego-te em luz o que a boca não te diz
O outono desses versos apontados para  teu seio...
 
É... Mas, dos teus olhos de primavera acesa
Colho brancos lírios, encontro desejos e fuga
Oh doce estrela, não sei se a paixão é avessa
Ou se ébrio de ilusão, o destino faz o caminho...

 

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