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De
Saudades
(Fernanda Guimarães)
Os
olhares deixam-se tecer
pelos
fios da espera
Em tuas
ausências,
descubro-me em ansiedades
Rendida
à ternura do lembrar,
ao
afago do recordar
É como
se entregasse o peito
ao
desatar do sentir
E num
soprar de silêncios incontidos,
confessasse-me
Renegando o claustro,
a
tortura do emudecer-me
É que
os versos aliciam
minha
pretensa quietude
Derramam-me de quaisquer
supostas medidas
Transbordam insones
nas
águas despertas
Do
coração que só se sabe
a viver
em ti
É que
deste às minhas letras
as tuas
senhas
As
entrelinhas dos teus desejos
e
expressões
Assim
conjugo-te
em teus
assombros
Como se
o "eu" e o " tu",
a
qualquer tempo
Fossem
sempre feitos
do
inequívoco "nós"
Ardem
em minhas mãos
os teus
gestos
E tudo
parece combinar
com o
tudo de mim
Entrelaçam-se meus dedos
quase
sem ar
Como a
buscar vestígios
do que
não foi dito
Vezes,
dispensas as palavras,
o passo
seguinte
Asfixiando o que tanto sei
e que
não revelas
Mas
ainda ficas em mim
nesses
momentos
Quando
te pensas à salvo
em tuas
fugas
Nesses
dias,
em que
tudo me falta
E um
fino fio me sustenta a alma
Alterno-me entre luas prateadas
de
saudades
E dias
que me escrevem
sobre
teus cheiros
Como se
a visão fosse também
olfato
e paladar
Minhas
mãos sempre acham
que
virás
E
compõem e me delatam
sem
pudores
Dizem
dos meus encantamentos
e
delírios
Desse
estremecer permanente
que me
rodeia
Quando
te vejo em meus olhares...
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