size=4>
Ciúme
 
(Leila Cordeiro)
 
 
 
O ciúme faz correr um frio
por todo o corpo
O rosto fica vermelho
Sobe um calor de repente
Os lábios tremem, a voz se cala
Uma nuvem desce sobre o rosto
O estômago embrulha
E a sensação é logo de perda
 
O ciúme traz tempestades repentinas
O gênio explode incontrolável
As palavras brotam ferinas
E o pensamento?
Esse... ah... esse é uma sombra
Que se reveste de tormento
Tantas coisas terríveis
Passam pela cabeça, num momento
As mãos tremem
e não abraçam a serenidade
 
A lembrança fica lá atrás
Lembrando dos momentos de felicidade
Ter ciúme é sofrer
É sentir que se perde
alguma coisa todo dia
A consciência dele atormenta
ainda mais
Ter ciúme
É não ter paz...
Perder a alegria,
viver vendo coisas
Em cada esquina, em cada olhar...
 
Ter ciúme
Não é amar, é aprisionar
Afogar num rio de insegurança
Toda uma vida a dois...
 
Ter ciúme é não deixar pra depois
o que se pode dizer
Sem pensar, agora...
Vá embora
E ao ter ciúme se descobre
Que não se tem nada
 
A vida fica vazia
E você abandonada
Ao ter ciúme você se odeia
Faz promessas, juramento
Diz que nem por um momento
Vai de novo se perder
 
Mas o ciúme
Que é forte e vingativo
Volta a aparecer
Ele vem devagarzinho
Nem se faz perceber
Que tola é você
Pensar que pode fugir
Pensar que pode vencer, o ciúme
Que já faz parte dessa vida
Que já faz parte de você...