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Carta
Derradeira De Um Jovem Suicida
(William Douglas)
Por
favor,
não me
tenham como covarde
Renato
Russo já dizia:
"Para, pára o mundo
que eu
quero descer"
Eu só
desci...
Não
quis mais participar
desta
dança de loucos
Não
quis mais ver a doçura
e o
gosto acre misturados,
nem ver
mais
a
opulência
ladeada de miséria,
sorrisos cercados de lágrimas
Eu só
não quis mais
participar deste jogo
Apenas
saí
Estava
difícil demais
ficar por aqui,
enfrentar cada dia,
e em
cada dia
sua
parte de desesperança,
embora
houvesse
sua gota de alegria
Sim, é
fato, temi a doença,
a fome,
a desgraça, a solidão,
temi a
partida dos amigos,
temi os
hospitais e o crime
Temi,
mais que tudo,
a morte
dos pais
Mas
temi também
o
sofrimento
dos
filhos que teria
Temi
até suas opções
Temi
tantas coisas
Talvez
eu seja mesmo
um
covarde
Já
sinto falta
dos dias de sol,
dos
dias de chuva,
dos
cinzentos
e
dos claros
Já
sinto falta
das
conversas
com os
amigos
Já
sinto falta
do
sorriso da mulher,
que amo
e que
não
possuo mais,
e sinto
falta dos jogos
do meu
time favorito
Sinto
falta
das
crianças
e de
sua coragem
Uma
coragem
inocente,
pura,
ingênua,
desavisada,
mas uma
coragem
sorridente
e
indômita
Sinto
falta
dos momentos
que
ainda possuiria,
dos
pais, dos filhos
Sinto
falta,
agora
eu sinto
Mas é
tarde
O
sangue já vai
sem que haja retorno
Perdoem-me,
dá
licença,
mas, já
arrependido,
eu
apenas sai
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