Carência
(Magda Almodóvar)
 
A Carência que vem depois do fim
Tem consistência
É fardo pesado demais para mim
 
Vazio que pesa
Oco doído
Espaço do nada
Dor
 
Pior é que ocupo o nada
Com todos os momentos
Que vivi com o ainda
meu amor
 
Vou do filme com pipoca
Ao jantar com champanhota
Do caminhar à beira mar
Aos beijos do depois de amar
 
Revivo o pulsar
do meu coração apaixonado
E as mil formas que
juntos descobrimos
para nos entregar
 
Vazio preenchido
de saudade
Oco cheios de vontades
Nada que tudo sente
Ausência presente
Desejo em corpo quente
E carente
Quase doente
Infectado por você
 
Anseio por chegar a hora
De você de mim ir embora
Espero encontrar na poesia
um jeito bonito de transmutar
você em ilusão
Provando com a rima que era
tesão a esmo
 
Nada havia de concreto
Só a fantasia da poeta
Cuja imaginação fez
nascer e morrer
um inexistente amor
Porque carente de tema
Precisava da dor do desamor
Para poesia do coração brotar
 
Broto de flor
Murcha prematuramente
Não chegou a ser rosa ou jasmim
Foi só princípio e fim
 
 
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