Ao Meu
Filho
(Texto extraído do livro
de:
Virgínia
Cavalcanti-Ombro Amigo)
Quero
colocar, meu filho, a minha dúvida.
Quero
te dizer que não sou perfeito, embora tenha
pretendido muitas vezes -
principalmente diante de você -
ser o
senhor de todas as respostas
Quero
esclarecer, sim, que na verdade, muitas vezes desisti
e quis
virar as costas para o amor, para o prazer,
para a
felicidade, com medo do revés
Mas,
ainda assim, de alguma forma, renasci
Porque
sou humano. E somos feitos deste jeito,
de
esperança e dor
De
fracasso e vontade de acertar
De uma
grande luz e força
que de
repente despenca numa
incompreensível confusão -
para de
novo tentar e se encontrar logo adiante
E se de
algum jeito, meu filho,
eu não
for capaz de vivenciar esta verdade
com
clareza diante de você,
não me
julgue pela minha força
e
fraqueza aparentes
Não sou
teu único parâmetro, embora o primeiro
E tudo
que eu quero é que,
se não
for da minha capacidade,
que
seja da própria vida
que
você receba esta melhor herança:
a de
compreender e viver
que
somos dúvida. Humanos.
E que a
duvida é o que nos permite
questionar e engrandecer
e não
deve, jamais,
servir
de desculpa para o não-ser