Ao Dizeres Que Me Odeias

(William Douglas)

 

Eu também te odeio, daquele ódio estranho, que precisa da presença do ser odiado, precisa da voz e do contato, do ódio que precisa a voz e o contato, do ódio que precisa da coisa odiada

Eu te odeio muito, de um ódio um tanto diferente, que sente falta e cuidado

E adoro tua descrença, perante um ódio tão intenso, que senti de ti tanta necessidade

Também o teu descanso em manter acesa esta raiva

E em prosseguires assim, rejeitando este incontestável sentimento, eu terminarei te amando um amor estranho, daqueles que rejeitam a companhia, e dela nada necessitam, e podem viver seis dias sem tocá-la

Um amor tão forte quanto desnecessário, tão violento quanto solitário

Este ódio que tenho vai esvair-se com o tempo, que trará um amor que não está perto, mas chega a cada dia com o teu ócio

Meu ódio, sim, esfria com teu acaso, um amor estranho tenta me conquistar, e penso que só assim estejas satisfeita, em eu, finalmente, estar distante, e talvez assim, só neste tempo, me ames ou odeies totalmente

 

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