Amor...De Mentiras
 
(J.G. de Araújo Jorge)
 
 
 
 
Eram beijos de fogo, eram de lavas, e sabiam a sonhos e ambrosias
Como pensar que a boca com quem os dava era a mesma afinal com que mentias?
 
Se eras as mais humildes das escravas em dádivas, anseios, alegrias, - como prever que o amor que me juravas seria mais uma das tuas heresias?
 
Como supor ser tudo um falso jogo?
E crer que se extinguisse aquele fogo que acendia em teus olhos duas piras?
 
E descobrir, - no instante em que me amavas, - que em tua boca ansiosa misturavas ao mesmo tempo beijos e mentiras?
 
Eram brancas as mãos, brancas e puras, mãos de lã, de pelúcia, mãos amadas...
Como prever, vendo-as fazer ternuras, que nas unhas traziam emboscadas?
 
Era tão doce o olhar...
em conjeturas felizes, e em promessas impensadas...
Como enxergar, portanto, as amarguras e as frias traições nele guardadas?
 
Como pensar em duas, se somente uma eu tinha em meus braços, e adorava, e a outra, - uma impostora, se mantinha ausente
 
E, afinal, como ver, nessa alegria, que o amor que tanta Vida me ofertava seria o mesmo que me mataria?
 

 

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