(Affonso Romano Sant' Anna)
 
 

 

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe
O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago
Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo
A mulher madura é assim : tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs...
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história
Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é, como na adolescência uma pura e agreste possibilidade
Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa...
O primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar